quarta-feira, 25 de março de 2015

Valandil - Capítulo 2

Valandil

        O dia amanheceu e os raios solares entraram pela janela do quarto de Milena.  Ela havia chegado tão tarde em casa e tão espantada com tudo que havia acontecido na noite anterior que esqueceu de fechar a janela do quarto.  A luz do dia a despertodespertarou e ela percebeu que estava muito atrasada. Correu para o trabalho e estava tão apavorada que nem ouviu uma voz que falava com ela.
        Meia hora após chegar ao trabalho, percebeu que estava sem inspiração. Precisava ter ideias para apresentar um projeto  em um evento no fim de semana.  Os melhores projetos teriam sua execução financiada pela empresa e o dono da ideia seria o gerente. Era uma bela oportunidade e um sonho pular várias etapas de estágio à gerência,  mas esse era o dia que a empresa havia concedido para os colaboradores elaborarem seus projetos.
       Ela ouviu alguém chama-lá e se virou, mas ninguém parecia tê-a chamado. Achou que era alguma brincadeira de mal gosto e voltou-se para o computador. A cena repetiu-se mais duas vezes, até que ela ficou irritada.
        - Não precisa ficar irritada. Só porque você não me vê, não significa que não estou aqui.
      Então ela percebeu que a voz falava dentro de sua cabeça. Assustada, porém extremamente curiosa, Milena resolveu perguntar em pensamento quem era.
        "Meu nome é Valandil. Sou seu anjo da guarda."
        "É sério isso ou é alguma pegadinha?"
       "Você foi iluminada ontem à noite. Agora, sempre que quiser ou precisar,  pode falar comigo que eu lhe responderei."
         O celular tocou e ela atendeu:
        - Oi, mãe. Bom dia.
        - Oi, filha.  Fiquei preocupada porque ontem você voltou tarde e hoje perdeu a hora.
      - Eu estava fazendo trabalho da faculdade. Acho que fiquei tão cansada que não ouvi o despertador.
        - Ok, minha flor. Você sabe que estou aqui pra você e pode contar comigo.
        - É,  eu sei. Pode ficar tranquila.  Beijo, tchau, tchau.
        "Ok, se você é meu anjo da guarda, quer dizer que eu sou médium?"
        "Na verdade, não. Você é iluminada agora. No momento, você ainda não tem poderes, então eu estou te emprestando os meus. Por isso você pode falar comigo, mesmo não sendo médium."
        "Certo. Agora, eu preciso trabalhar, Depois a gente conversa."
        O dia passou tranquilamente, sem mais intercorrências. Na faculdade, encontrou Roberto, mas não tocaram no assunto. Ela até queria, mas ele deixou claro que ali não era o local adequado. Sua curiosidade foi aumentando e ela foi para casa, desistindo das últimas aulas. Sua mãe já estava dormindo e ela não pretendia acordá-la. Afastou o sofá, acendeu algumas velas em círculo, sentou-se na posição de lótus, fechou os olhos e começou a meditar. Sentiu a presença de Valandil e abriu os olhos, para tentar enxergá-lo, no entanto não o viu.
       "Você ainda não consegue me enxergar porque você está me bloqueando. Há muito medo em seu coração."
       "Bom, estou muito confusa, é normal estar com medo."
       "Posso mostrar um pouco de mim? Vou ter que passar por cima da sua vontade subconsciente de não me ver."
       "Claro que pode."
       Com os olhos fechados, ela via apenas um breu. À medida que o tempo passou, uma luz muito forte cegou-a momentaneamente e ela viu a silhueta de Valandil, porém quase disforme. Ela abriu os olhos, sem entender e tentou contactá-lo novamente, mas desta vez ele não respondeu. Pensou em chamá-lo em voz alta, mas ficou com receio de acordar sua mãe. Tentou repetidas vezes, mas sem sucesso. Cansada e frustrada, ela anotou a experiência em um bloquinho de notas e foi dormir.

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